Filosofia
Um Facilitador de Conhecimento
Coordenador da "Professores Associados", Elias Celso Galvêas fala dos novos rumos da educação e das mudanças na relação entre alunos e professores.

Carioca, 42 anos, ex-aluno do colégio São Bento e Mallet Soares, o professor Elias Celso Galvêas é um entusiasta da sua profissão. Formado em Pedagogia pela Universidade Santa Úrsula (onde também estudou matemática), especialista em Psicopedagogia pela Universidade Cândido Mendes, e também pós-graduado pela UFRJ, em Docência do Ensino Superior. Fundador e coordenador da "Professores Associados" (hoje, Saber Digital), têm 21 anos de experiência no ensino, principalmente no ramo de aulas particulares. Nesta entrevista, aborda a relação entre professores e alunos, além dos caminhos que a Educação vem tomando.
1. O que mudou na relação entre professores e alunos?
O volume de conhecimentos do ser humano dobra, em média, a cada cinco anos, principalmente em função do "boom" da internet, a grande responsável por tirar das instituições acadêmicas o papel de únicas geradoras e mantenedoras do conhecimento. Neste contexto, tampouco o professor pode ser considerado o centro detentor de todo o saber, como era antigamente.
Por terem acesso fácil às novas fontes de conhecimento, os alunos estão mais autônomos, bem informados e questionadores. Isto exige do professor uma postura nova, que implica a reformulação de estratégias e, do ponto de vista do relacionamento humano, a reestruturação de inúmeros conceitos. Apesar do professor ainda ter grande importância no processo educativo, o foco não está mais nele, no aluno, ou na instituição, mas sim no conhecimento.
A ênfase está na seleção, registro e organização dos conhecimentos disponíveis na internet e nos demais meios de comunicação. Assim, o professor deve adquirir uma formação pedagógica mais sólida, capaz de transformá-lo efetivamente em um educador. O simples acúmulo e domínio de conhecimentos não são suficientes para conferir-lhe a competência necessária para transmití-los.
É igualmente necessário que, além da relação profissional e formal, estabeleça-se um vínculo de confiança entre a parte que ensina e a que está sendo ensinada. Sem isto, é bem provável que, mais cedo ou mais tarde, o aluno "desista" de aprender ou fique "adestrável", ou seja, aprenda simplesmente por obrigação - encarando o conhecimento como mais um fardo a se carregar na vida.
O mestre, sem amor pelo o que faz, não será capaz de transmitir o conteúdo de forma adequada, tornando o aprendizado significativo inviável.
2. Qual O perfil do aluno que procura por aulas particulares?

Em 21 anos de experiência no ramo, pude observar que, normalmente, é o aluno que apresenta um quadro de baixo rendimento escolar, o que lhe gera insegurança quanto à compreensão do conteúdo estudado, o que pode vir, em maior ou menor grau, a afetar sua autoestima, e até o seu relacionamento familiar, além de se refletir em outras disciplinas em que ele, originalmente, não teria dificuldades.
Na maioria das vezes, são alunos dispersivos e ansiosos, mas também sensíveis, interessados, e, invariavelmente, muito inteligentes, o que fica mascarado em função de problemas com a autoestima.
Some-se isto à cobrança dos pais e o quadro pode se agravar ainda mais. Na verdade, são raros os alunos que nos procuram espontaneamente, imbuídos do simples desejo de aprender, crescer como pessoa e desenvolver o seu lado cognitivo e capacidade de raciocínio.
No universo escolar, tudo tende a girar sempre em torno de uma nota, esta é a cobrança da maioria das escolas.
É lastimável que seja assim, pois, em plena "Era da Informação", as Instituições deveriam pensar em novas formas de tornar os conteúdos interessantes, e de conscientizar os alunos da verdadeira importância da aquisição de conhecimentos práticos para a vida.
3. Como professor e educador, você adota alguma estratégia metodológica para facilitar a aprendizagem dos alunos? Existe alguma garantia de que suas notas irão aumentar?

Não existem fórmulas mágicas ou varinhas de condão. O meu trabalho tem como objetivo fazer com que o aluno encontre o melhor caminho para resolver seus problemas e dificuldades. Assim, o professor - que facilita o acesso ao conhecimento - não pode, de modo algum, substituir o esforço pessoal que cada aluno deve fazer para se superar.
Não existe garantia, portanto, que o aluno (ou seu responsável) entenda essa proposta; mas, nesses 21 anos de experiência, tenho conseguido quebrar resistências mais ferrenhas, pois o aluno acaba percebendo o quanto seu esforço pode levá-lo a recuperar não apenas um bom rendimento escolar, mas a sua autonomia e autoestima.
O papel do professor é o de facilitador do conhecimento que, ao prestar uma orientação adequada, é capaz de fazer o aluno perceber qual o caminho mais fácil para a aquisição e gestão dos saberes adquirido. Dessa forma, seria leviano afirmar que existe uma fórmula infalível de fazer o aluno aprender, mas alguns fatores que independem do mestre são fundamentais.
Dedicação, disciplina, e vontade genuína de estar sendo atendido pelo professor (independente da vontade dos pais), são alguns deles, assim como o interesse, a motivação, a paciência e a boa vontade por parte do aluno.

